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Jornal Ativo em Casa Outubro 2026

Esta iniciativa surgiu numa das reuniões de equipa da Ativo em Casa, na qual refletiu-se em equipa sobre a falta de literacia para a saúde que identificamos por vezes em quem nos procura.

Como somos uma equipa de ação refletimos sobre atitudes que poderíamos ter para contribuir para a literacia. A Criação do Jornal, com um artigo mensal, fez-nos sentido.

A publicação online é feita a partir da edição de Fevereiro de 2026.

Jornal Ativo em Casa Outubro 2026
Jornal Ativo em Casa Outubro 2026

NOTÍCIA DE OUTUBRO DE 2026

COMPREENDER E EMPATIZAR COM A SOBRECARGA DO CUIDADOR. COMO CUIDAR DE QUEM CUIDA?

Existem cuidadores informais (familiares ou amigos da pessoa a ser cuidada) que conseguem transformar o cuidado em propósito de vida, sem sobrecarga. Há inclusive relatos de que o papel de Cuidador permitiu estreitar laços com a pessoa a ser cuidada, havendo um reaproximar de pais e filhos, transformando esta experiência de cuidar em algo relevante para o bem-estar de quem cuida.

No entanto, existem muitos outros relatos que associam o cuidado à sobrecarga do cuidador, podendo este papel ter efeitos nefastos no bem-estar de quem cuida, inclusivamente levar a estados de ansiedade e/ou depressão.

A sobrecarga, quando difícil de gerir no quotidiano leva a uma perceção de exaustão, e tudo o que for extra a rotina de cuidado (por exemplo agendar uma consulta médica), pode ter um impacte devastador no Cuidador porque esta tarefa representa um acréscimo, à sobrecarga que o Cuidador já tem. Imagine a última gota de água num copo já cheio, aquela gota que pode fazer transbordar o copo de água.

Perante este tipo de desgaste, é necessário haver empatia por parte das pessoas que estão à volta do Cuidador, que tenta equilibrar tudo como um malabarista.

Além da carga física que exige o ato de cuidar de alguém, há a preocupação constante com a pessoa a ser cuidada, 24/24 horas, designada de Carga Mental Oculta, que nos cuidadores está muito associada à Preocupação Antecipatória (gerir e planear o cuidado, articulado com necessidades que surjam, como faltar algo do supermercado). Assim, além da Empatia já mencionada, é necessário o apoio logístico ao Cuidador, que pode passar por exemplo em ajudar em tarefas como levantar a medicação da pessoa a ser cuidada na farmácia, ou ir ao supermercado buscar algum item em falta. Parece algo simples, mas irá fazer a diferença para o cuidador.

Quando o cansaço é extremo, o que os cuidadores enfrentam?

Há diferenças comportamentais na pessoa, e quem está mais próximo consegue-as identificar. Notam irritabilidade constante, ansiedade persistente, alternadas com uma tristeza profunda, que por vezes se reflete em isolamento e apatia. As pessoas mais próximas identificam também sentimentos de culpa do Cuidador por achar que não está a chegar a todo o lado, com uma sensação de impotência associada. Nestes momentos o Cuidador necessita também, de sentir-se acolhido, de ter alguém que esteja lá para ouvir os seus desabafos e que o ajude a encontrar estratégias para os desafios apresentados. Estamos perante uma pessoa que ao cuidar do outro por vezes negligencia-se a si próprio, é importante ajudar o Cuidador a recuperar o autocuidado e a conseguir ter um hobby, que pode passar por algo simples como uma caminhada duas vezes por semana. A rede de apoio social do Cuidador deve também procurar proporcionar-lhe momentos nos quais este se consiga envolver socialmente com outras pessoas, diminuindo assim a tendência ao isolamento social, característica de um Cuidador sobrecarregado.

Falta referir aqueles Cuidadores que têm de articular o cuidar do outro com a vida profissional, perdendo horas de trabalho para acompanhar a pessoa cuidada a consultas médicas e gerir a contratação de cuidadores formais. Estes cuidadores podem ter dificuldade em balancear o cuidar e o trabalhar, priorizando muitas vezes o cuidar. Nestas situações cabe à rede de apoio revezar-se em tarefas de Cuidador, para que a sobrecarga não caia sempre na mesma pessoa.

Em suma, apesar de estarem a ser criadas várias estruturas de apoio aos cuidadores, as quais ainda apresentam limitações, a principal estrutura de apoio do Cuidador é a sua rede de suporte social, que muitas vezes através de tarefas ligeiras pode fazer a diferença, garantindo que o Cuidador consiga cuidar com qualidade, durante mais tempo, sem tamanha sobrecarga.

9ª Edição
Outubro de 2026

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