Esta iniciativa surgiu numa das reuniões de equipa da Ativo em Casa, na qual refletiu-se em equipa sobre a falta de literacia para a saúde que identificamos por vezes em quem nos procura.
Como somos uma equipa de ação refletimos sobre atitudes que poderíamos ter para contribuir para a literacia. A Criação do Jornal, com um artigo mensal, fez-nos sentido.


NOTÍCIA DE MARÇO DE 2026
CUIDAR EM CASA: TRANSFORMAR O AFETO EM SEGURANÇA
O tempo é um elemento assustador! E embora todos queiramos viver o mais possível, a forma como envelhecemos pode não corresponder às nossas expectativas. Física ou cognitivamente, à medida que o tempo passa, vamos inevitavelmente perdendo capacidades de uma ou ambas as dimensões. Esse processo de aceitação é gradual e cheio de superações.
Tomar a decisão de cuidar de um adulto mais velho no conforto do seu lar é, talvez, uma das expressões mais puras de dedicação humana. Para o fazer em segurança há que garantir aspetos importantes, os quais apresentamos a seguir.
A Casa como Refúgio Seguro
(Prevenção de Quedas)
A segurança física é o alicerce da paz mental do cuidador. As quedas são a principal causa de lesões em Adultos Mais Velhos, mas a maioria é evitável com medidas simples como eliminar tapetes, melhorar a iluminação e garantir o uso de calçado antiderrapante.
Manter a autonomia com segurança é um dos maiores desafios. Quando adaptamos a casa, não estamos a impor limites.
O Toque que Nutre e Protege (Integridade Cutânea – Pele)
A pele é o nosso maior órgão e a nossa primeira barreira de defesa. A hidratação e a vigilância são vitais para evitar as úlceras por pressão (feridas).
- Mudança de posição e atenção redobrada às zonas de proeminência óssea. Quando a pessoa está acamada, deve alternar a posição várias vezes ao dia (2/2h) para promover a circulação sanguínea; mas a pessoa que passa o dia todo sentada no cadeirão corre o mesmo risco de lesão da pele, devendo levantar-se e lateralizar-se várias vezes também. Podemos recorrer a almofadas para ajudar neste processo, tendo sempre atenção aos critérios da sua escolha e colocação nos locais e da forma adequada.
- A hidratação deve ser tanto tópica (através de cremes) como oral ( através da ingestão de líquidos) Sabemos que pode ser um desafio incentivar a ingestão de líquidos. O recurso a chás, água com sabor ou gelatinas, são alguns dos exemplos mais usados.
- A alimentação também é um fator importante para a integridade da pele: a dieta deve ser rica em proteína e diversificada com todos os outros elementos da roda dos alimentos. A consistência da comida deve ser avaliada consoante as patologias associadas e estado geral de cada um.
Saber avaliar os sinais de alteração da pele de forma atempada (ver se as zonas mais ósseas estão com cor, temperatura ou textura diferente) e recorrer a um profissional de saúde experiente, fará certamente a diferença
De dentro para fora (a monitorização de sinais vitais)
A melhor vigilância é o olhar atento. Quem cuida conhece melhor que ninguém a pessoa com quem está. É importante perceber alterações comportamentais, estado anímico e alterações físicas e psicológicas. É também importante manter uma vigilância periódica de outros parâmetros: tensão arterial, frequência cardíaca, saturação do oxigénio e peso, por exemplo.
Cuidar do Cuidador: A Teoria do Copo Cheio
Embora seja um cliché, é das afirmações mais verdadeiras: temos de cuidar de nós para cuidar do outro. Por isso o cuidador não se pode anular completamente.
Devemos procurar forma de esporadicamente conseguir criar algum momento de bem-estar e descanso do cuidador.
O cuidador precisa de “micro-momentos” de reabastecimento. Cultivar a auto-compaixão e aceitar ajuda permite que o ato de cuidar seja sustentável e não um caminho para o esgotamento e desgaste.
5ª Edição
Março de 2026
